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09 de Outubro de 2014 | 15:00

O reencontro entre os eleitos e os eleitores

Philippe Fernandes


Há muito tempo, o ambiente eleitoral brasileiro é hostil ao eleitor comum, que não está engajado em uma candidatura e/ou não acompanha o cenário político com frequência. O descrédito e a desconfiança do povo sobre a classe política foram construídos ao longo dos anos, mas esses sentimentos cresceram e foram materializados com os protestos de junho de 2013. Há uma parcela significativa da população que não se sente representada por nenhuma das forças que buscam o voto. Entender os motivos da raiva generalizada e propor medidas para aproximar a política dos cidadãos é um dos principais desafios que os candidatos terão nas eleições deste ano.

E isso é difícil. Em parte, difícil porque muitos enxergam apenas a lógica eleitoral, e não a possibilidade de dialogar para apresentar propostas de transformar um sistema que está falido e aproximar o eleito (que, muitas vezes, não é eleito por ideias e méritos, mas pelo â??investimentoâ?? feito ou pela média de votos de coligações que são formadas com foco único e exclusivo na chance matemática de eleger um, dois, três deputados) e o eleitor.

Não se trata aqui de colocar todos no mesmo balaio: há neste meio pessoas sérias, preocupadas em mudar o estado de coisas. Mas a única forma de reaproximar o povo da política é mudar o sistema eleitoral. O sistema proporcional atual não representa ninguém. E acredito que esta é a hora de discutir nosso modelo e fazer uma reforma política â?? não casuísta, que defenda o interesse de um ou de outro partido, mas que melhore a interlocução com a sociedade.

Entre as propostas apresentadas, julgo como a mais saudável o voto distrital misto para eleições de deputados estaduais e federais e vereadores de cidades com mais de 200 mil habitantes. Pela proposta, cada região dos Estados da Federação (e das cidades, nas eleições para a vereança) seria dividida em distritos. O cidadão escolheria não entre 300, 400, mas entre quatro, cinco, seis, dez lideranças com peso, de diferentes correntes ideológicas â?? um sistema majoritário para eleição legislativa. A mudança permitiria um controle maior da população sobre os eleitos, porque as pessoas saberiam em quem estariam votando (hoje, com a aberração das coligações proporcionais, você vota em um candidato e acaba elegendo outro com convicções totalmente opostas, por tabela).

No entanto, o sistema misto garante que os grandes temas sejam debatidos. Candidatos ideológicos ou que defendem temas que não dialogam com regiões específicas teriam espaço teriam espaço, através de um percentual menor de votos para listas partidárias (neste caso, vota-se na legenda do partido, que dispõe uma relação de nomes dos deputados que assumiriam, dependendo do número de votos que o partido receber).

Outros pontos precisam ser debatidos de forma qualificada e profunda, como a divisão do tempo para o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão (a grande moeda de troca que os partidos têm hoje); o modelo do financiamento das campanhas e o controle de fiscalização sobre os gastos de campanha; além das regras de campanha eleitoral.

Talvez este quadro de descrença geral seja o ideal para que as mudanças, tão desejadas por tanto tempo, comecem a acontecer. Neste segundo turno, a bola está com os candidatos, que mostrar a intenção de encaminharem um projeto de ampla reforma política. Espero que isso aconteça o quanto antes.

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