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18 de Abril de 2013 | 09:57

RESENHA: Os nossos olhos veem e o nosso coração começa a sentir

RESENHA: Os nossos olhos veem e o nosso coração começa a sentir

Maria Clara Amorim

Nos últimos anos a sociedade vem passando por um momento um tanto egocêntrico da história. A maioria das pessoas está afogando-se em conhecimento, saber, compras, aprender etc. E não conseguem enxergar o outro. Isto e outras situações são apresentadas tanto no livro quanto no filme “Ensaio sobre a cegueira”. Ambas produções de grande importância, já que foram elas responsáveis por fazerem muitas pessoas “enxergarem”. Como nas primeiras páginas do livro diz “se podes olhar vê, se podes ver repara”.

Injustiça, desamor, humilhação, desespero, tristeza, abandono isso e muitos outros fatores estão nas ruas, no cotidiano. E porque será que não reparamos isto? Porque o ser humano está sempre preocupado com ele mesmo e tudo que faz é para seu benefício, e quando ajuda na maioria das vezes é por algo em troca, como em uma citação no livro “hoje dia por si, amanhã por mim”.

A cegueira mostrada em ambas às produções é uma cegueira diferente da comum, já que ao invés de estar perdida nas trevas a pessoa se perde em luz. Nos dias de hoje a luz representa o conhecimento. E será que pode-se ligar esta cegueira branca com o fato de que a cabeça do ser humano está tão cheia de conhecimento que não sobra espaço para as outras coisas?

O filme nos traz cenas fortíssimas como a que a esposa do Médico passa pelo corredor e vê a situação deplorável que se encontrava o local, vendo esta cena podemos perceber que o ditado popular “Quando os olhos não veem o coração não sente” tem todo o sentido nesse caso e em todos os casos apresentados no filme e no livro.

Em relação à parte técnica, se formos comparar o livro com o filme, o livro conta mais detalhes de cada um dos personagens e até mesmo tem alguns personagens que não aparecem no filme. Já o Make in Off é uma explosão de efeitos especiais, e são poucos os erros de continuidade. O diretor conseguiu montar um filme com muita clareza, bem fiel ao livro, o próprio escritor José Saramago, quando concedeu os direitos para Fernando Meirelles, não acreditava que o diretor conseguiria passar todas as mensagens que o livro traz. Todavia, ele mesmo se surpreendeu e afirmou que Meirelles conseguiu passar as mensagens com clareza.

Uma das exigências de José Saramago a Fernando Meirelles foi que o local onde se passava o filme não poderia retratar um país específico e isso o diretor conseguiu com toda a certeza fazer.

Cada personagem no livro não possui uma característica própria de algum país e não é passada ao leitor a nacionalidade de cada um, fazendo com que possamos imaginar a situação. Já no filme é interessante notar que não foi escolhida uma só etnia para protagonizar, mas sim diversas – negra, asiática, brasileira, mexicana e estadunidense. O que leva ao telespectador entender que não só a população de certo país, ou certa etnia que está com os olhos vendados para o mundo, mas infelizmente todo o mundo está com uma venda nos olhos para não enxergar tudo o que se passa.

Na categoria autor o livro Ensaio sobre a Cegueira ganhou o prêmio Nobel de literatura e o prêmio Camões 1995. Já o filme, ganhou prêmios de melhor fotografia, maquiagem, direção de arte e efeitos especiais. Vale notar também que o filme abriu o festival de Cannes 2008.

Depois de ver ou ler estas grandíssimas obras, temos uma percepção totalmente diferente do mundo. Os nossos olhos veem e o nosso coração começa a sentir.


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